Jamais avançaria para uma editora em Portugal se não tivesse a aprovação da mãe e do padrasto. Estávamos a falar dos momentos em que Snu procura a aprovação da mãe. Isto é especulação pura, às vezes as paixões acontecem com as personalidades mais opostas.
Pelo protocolo, pelos costumes e pela luta política. E em que ela, Snu, se deixa ficar para trás como quem saboreia, pela última vez, esse momento em que à alegria da vitória ainda não se juntou o enorme peso de se ter tornado a mulher para a qual não estava previsto lugar. Foi numa festa em casa de Francisco Balsemão…
A vida privada de Snu tinha o fogo da paixão
Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. É um dia em que devo ficar cá e partilhá-lo com a minha família. Como eu sempre fui muito reservada e tímida, refugiava-me nos amigos – que ao longo da minha vida, foram sempre um grande apoio. Nessa mesma noite, o meu pai explicou-me tudo.
Um país colonialista, um país belas clube campo um pouco desprezível. Apesar de ser português e de, naquela altura, Portugal ser uma espécie de país inexistente. Vasco era rico, bem-nascido, cosmopolita – três itens indispensáveis. Quais foram os grandes momentos em que Snu procurou a aprovação da mãe? A mãe, social-democrata, estava mais à esquerda do que o próprio Sá Carneiro.
- Os pais estavam altamente envolvidos na Resistência dinamarquesa.
- 45 anos após a morte de Sá Carneiro e Snu Abecassis, recordamos o texto de Helena Matos sobre esta fascinante mulher.
- O país está dividido ao meio politicamente, entre a esquerda e a direita; Sá Carneiro joga metade do eleitorado português e uma mulher.
- Edita livros de Mário Soares, de Álvaro Cunhal e também de Sá Carneiro.
comentário
Só ouvi o jornalista a dizer ‘Morreu Francisco Sá Carneiro’ e, nessa altura, nem me apercebi que a minha mãe também tinha falecido. Eles estavam em plena campanha eleitoral, iam a sair de casa e apenas acenaram lá de baixo. Só me recordo da minha mãe e do Francisco se terem despedido de mim mas nem sequer lhes dei um beijinho. No livro, ficamos a saber que a Rebecca, assim que soube da trágica notícia, foi-se esconder de pé, dentro de um roupeiro. Também ela é uma mulher muito forte e corajosa, e por isso mesmo sentiu necessidade de explicar quem era a filha dela.
Snu: quem foi a mulher que no amor e na morte se cruzou com Portugal?
É curioso que quando encontra o Francisco Sá Carneiro vai procurar primeiro a aprovação do pai. A própria irmã da Snu contou que por vezes havia gritos, discussões entre elas e a mãe. A relação não é fácil entre mãe e filhas, sobretudo quando são crianças.
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Apesar de ter perdido a sua mãe com apenas nove anos de idade, que memórias ainda guarda dela? Depois do choque inicial, quando é que começou a mostrar-se interessada em conhecer mais pormenores sobre a sua mãe, Sá Carneiro e, claro, o acidente? Outras pessoas têm-me dito que a primeira vez que viram os pais chorar foi no dia 4 de Dezembro de 1980– foi também nesse dia que vi o meu pai chorar pela primeira vez.
De Lisboa a Estocolmo
Seria possível a Snu apaixonar-se ou envolver-se com alguém que fosse de um mundo completamente diferente? O meio da edição, da literatura e da imprensa escrita era o meio que Snu conhecia com sucesso, do padrasto, que ela idolatrava, da mãe e do pai. O primeiro emprego da mãe fora dos países nórdicos é na Penguin Books, em Inglaterra. Havia coisas importantes para fazer, no mundo, no país, onde fosse possível.
No início de 1976, quer Snu quer Sá Carneiro estavam casados. Sim, foi há pouco mais de três anos, mais precisamente a 6 de janeiro de 1976, que Snu se encontrou, pela primeira vez, com Sá Carneiro, nesse almoço na Varanda do Chanceler de que ambos regressaram com outro olhar às suas rotinas e aos seus casamentos. A vida de Snu gira em torno desse homem que, na verdade, só conhece há três anos.
A Snu inicialmente teve algumas dúvidas. Existiam dinheiros da família da Suécia, e a situação da família do marido em Portugal era confortável. Sobretudo para fazer a vida que Snu fazia.






